segunda-feira, 4 de agosto de 2014

SOBRE A MISTERIOSA CORUJA

Em homenagem à minha querida amiga Renata Machado, do blog Trilha da Magia!!, que tanto ama este lindo, forte, intenso e poderoso animal, mostrando e falando dele com tanta paixão, mostrando suas facetas e me despertando mais a admiração e respeito por ele.

Coruja
O totem animal do Caminho da Sabedoria é a Coruja. É a medicina das habilidades ocultas, sabedoria antiga, a vigília. Para descobrir verdades ocultas, mistérios, intuição profunda. Evocar para auxílio nos obstáculos quem impedem a presença de seus talentos e habilidades. Para que seus talentos se apresentem de acordo com a situação. Para aceitação do lado escuro (sombras) da realidade. Também para a benevolência. Evocar quando quiser conhecer o lado sutil da consciência, áreas inexploradas da consciência. Para discernimento da verdade, do que nós estamos buscando. Ligação com a lua. Para conhecer as sombras, poderes psíquicos, habilidades ocultas. Para melhor observar, prestar atenção.

São aves noturnas e voam silenciosamente, o que lhes dá uma forte vantagem quando caçam sua presa. Sua audição é impecável. Para muitos, elas caçam através do som e não do olhar .

A Coruja simboliza coisas diferentes. Para alguns povos representa tudo o que é sábio e bom; para outros, tudo o que é escuro e mal. Dizem que as corujas são sábias mensageiras, algumas vezes portadoras de notícias de morte, mas frequentemente transmissoras de sabedoria e conhecimento.

A medicina da Coruja é tão forte que não deveria ser misturada com outras energias, trabalhada com irresponsabilidade ou futilidade. Alguns nativos envolvem qualquer forma de medicina (instrumento de poder) da coruja num pano vermelho, pois dizem que o vermelho ajuda a conter o poder e mantê-lo separado de outras energias. Outros não tocarão numa pena de coruja. Embora grande parte da medicina da Coruja seja secreta, ela está relacionada a antigos conhecimentos do feminino e da lua.

Se você busca respostas, pergunte à Coruja que é tão sábia. Pergunte estando disposto a receber uma resposta que possa levá-lo a jornadas para territórios desconhecidos seja no plano espiritual, mental, emocional ou físico. Trabalhar com a coruja, nos ensina sobre mistério, paradoxo, vida, morte, sabedoria, sombra, saber escutar, o feminino, o desconhecido.

As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena. 


Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados). 

Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.

A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa embaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto. 

Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência. 

Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza

sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer; 
A coruja de Minerva alça seu vôo
somente com o início do crepúsculo.


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